domingo, 14 de dezembro de 2008

"ALGODÃO DOCE" e os moradores de rua assistidos ...



Estar nas ruas é lidar com surpresas diárias. Aliás o ser humano é surpreendente, mesmo nas mais prováveis situações de desconforto e dor.
A cada visita, encontramos seres já conhecidos e outros a conhecer. E todos ou quase todos em seus limites ... e na verdade, pouco ou nada sabemos deles. Conhecimento de detalhes pequenos fornecidos por eles mesmos, quando lhes convém. E no mais, quando estão embriagados, do álcool e da falta de amor.
Dói a falta de amor! Dói ver a dor alheia!
Há os que se postam, indiferentes, alheios a todos ... fixam os olhos na comida oferecida, como se não a visse. Outros, agradecem, agradecem e sorvem rapidamente o conteúdo, outros aguardam acanhados, outros a guardam, outros dividem com seus animais ... Bonito de ver! Há solidariedade entre eles.Troca de calor, literal e sentimental.
Sente-se o frio da noite ... a distância que nos separa. Nossas identidades somam-se por hora, no amor. E, parece tão pouco ... a sensação é de débito ainda ... poderíamos fazer muito mais.
Debaixo dos viadutos, indigentes. Nas esquinas há gente, um,dois, três ... muitos indigentes. Nas ruas há gente, indigentes! E há dor, miséria, descasos, falta de amor, isolamento , solidão ... Há drogas, e uma droga-de-viver, em vão, sem construção.
É verdadeiramente triste. Faz-nos questionar nossas vidas ... os lamentos, tornam-se vãos, minúsculos, egoístas, de fazer também dó!
Somos o que sonhamos? Há muitos perambulantes que nada são, deixaram de sonhar. Apenas vivem .Vivem? Ou vegetam?

Tata Junq
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