quinta-feira, 17 de abril de 2008

Reconstruir. Momento Reflexivo



Abri a janela. Vi vizinhos descontentes, outros colocando mais madeiramentos obtidos nas ruas, junto os papelões...
Lixo! Casas de lixo! Lixo reaproveitado de uma sociedade consumista e vezes cruel. Quem espreita estas dores? Seus amores ou falta de?
Hoje abri a janela prô mundinho tão próximo. Vi crianças remelentas, quase nuas.Vi cachorros de barrigas gordas de vermes. Vi olhares de desdéns, outros de revoltas, outros pidonhos. Vi sujeiras dos espaços ocupados... garrafas vazias, papéis, papelões, roupas rasgadas e sujas, cachimbos de crack...Não vi sorrisos ... só pressas e indolências, contrastantes.
Não vejo almas, nem corações _vejo que vejo somente seres robotizados, na corrida desenfreada do dia- a-dia, que parece tão claro e normal. Vejo jovens, homens, mulheres ... saídos de transes, gerados por consumo de crack, álcool, maconha ... colas ... tudo puro prazer e posterior, dor. E ...o corre-corre dos trombadinhas, seus arrastões , também.
Vejo um beco, literalmente. Sem saídas.
A vida caminha com ou sem faltas de pernas ... rápida.
Quantas janelas fechadas, no entanto.
Quantas janelas que só proporcionam olhares ao horizonte. Quantas internas, voltadas aos seus próprios interesses?
Deixo a luz entrar pela janela, com pesares e também com algumas esperanças : de dias, de governo, sociedade, melhorados.
Quero, não posso ou devo fechar esta janela _ minha consciência.
Abrindo janelas, por favor?!
Depois fazendo sua parte, sim?!
Lembrete urgente : Reconstruir a desconstrução.

Tata Junq

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