terça-feira, 5 de abril de 2016

Conto,monologado: Relato de nós dois,melhor,de nós três.



Relato.

Um copo d'água,por favor?!
Boca seca e sedenta.
Ou um café?
Ou suco?
Tá frio?
Tá calor?
Suo por todos os poros...
Gelo...sem gelo.
Esquento,sem calor.
Desastre...
Síncope,taquicardia.
Espio , meio que na lateralidade,pra não dar bandeira,esperando você chegar.
E nada.
Tô trêmula,enrolada na expectativa.
Decidiríamos nossas vidas.
E nada de você.
Maldita hora,que não me acomodei na área de fumantes.
Se saio ...posso perder sua chegada.
Como virá?Por onde virá?
Não ouso pegar o celular,pois nem vibrar,vibra ...
Saco!
Será que desistiu?
O tempo corre solto ...
E,sequer me avisou?
Droga!  Mil vezes,drogaaaa!!!!
Já mordi as unhas,tão bem feitas ... descascou uma delas ...
Droga,de novo!
Parei de suar.
Esfriei de vez.
Tomei um baita dum cano.
Ignóbil!
Maldito,seja!
Imbecil,dobrado,triplicado ...
Levanto-me, meio que bambeio ...
Vou ao toilete ...
Olho-me no espelho ...o batom desapareceu dos lábios ... o sorriso também.
Penalizei-me da figura patética,que via.
A tola!
Lavei rosto,mãos ... sequer fiz xixi.
Urinei lágrimas! Defequei mágoa!
Arrotei vergonha de mim.
Lentamente fui à garagem,subsolo ... entrei "no automático", no carro.
Pausei a vida e pensamentos.
Respirei fundo,liguei,pisei e fui ... meio que idiotizada ...ainda não acreditando em tudo,que passara.
Senti-me o cocô do bandido.
E,chorei...muito chorei ...
Consciente,eu era a outra.
Dia seguinte,com cara de ressaca emocional,circulei pela casa...fiz um café ..e o absorvi lentamente...gota por gota,maquinando a vingança.
Não atenderia a nenhuma chamada telefônica,morreria pra ele,para começar o revide.
Pensa,que é estalar os dedos e vem cachorra?
Mas o telefone,sequer tocou.
E os dias passaram ...um a um,num peso,sem comoção.
Já não mais chorava...mas ainda doía.
Ano passou ... até que num belo dia,esbarramos.
(Dizem,que até as pedras se encontram ...)
Envelhecera ...olhei bem para certificar-me...se era realmente ele.
Olhou-me profundamente,não desviou o olhar,não.
Mas não disse uma só palavra.
Por instantes,miramo-nos.
Eu não tinha um olhar ardoroso a oferecer,nem de raiva,nem tesão,nem nada.
Seu olhar era triste,mas firme.
Ele seguiu, eu também ...
Como se eu clicasse a tela do PC ...num delete pra sempre.
Até hoje,nada sei dele e supostamente,nem ele de mim.
Não tínhamos amigos em comum.
Jamais ele ia se expor,não correria este risco.

Amor velado à esposa,nobre,não?!
Cão sarnento!
Tento esquecer,mas vezes ainda fico tomada de raiva e mágoa.
Ahhh ...sim!
Espiei de longe ...ele era lento,mancava.
Sabe Deus o que lhe acometera...
Praga minha não foi,garanto!
Hoje,fumo um cigarro na calçada ...deixei o carro na rua.
Agradeço ao flanelinha,dou-lhe uns trocados.
Ao engatar a marcha,sorri aliviada.
Não morrera ...
E eu? Sobrevivi ao infortúnio,depois de muitas terapias,para suprir aquele abandono.
A manhã tornou-se bonita.Houve então,resgate de mim.
Sem avarias,agora.Uma determinação apenas,em boa hora ...esquecer de vez a história.
A história de nós ...sem o ele e com o ganho de batalha,de uma, ela,chamada Luzia Mercedes,com direito a todos seu filhotinhos. Qual gata mansa,largada no sofá.

Do Projeto,Alma feminina,Relato de Maria.
Por, Tata Junq.
Enviar um comentário