sábado, 28 de maio de 2011

Crônicas ao acaso: Rosa Maria. (Projeto: Mais um "causo".)




Onde mora a dúvida? Nas incertezas, que provocam a ausência.
Nenhuma palavra.
Nenhuma carta mais chegou.
No silêncio daquela manhã fria, Rosa Maria desliza seu corpo cansado, da cama ... e tenta equilibrar-se ao colocar seus pés no chão.(Encontra-se enferma de corpo e de alma.)
Vacilou por instantes ... sua alma batecom a cara no chão, seu corpo treme muito, tomado pela febre...
E mesmo assim ...cambaleante, foi até o banheiro, que fica ao longo do corredor estreito.
Apoia-se nas paredes mofadas, escuras, que abraçam sua solidão, como fossem cúmplices de sua verdade.
Tenta molhar seu rosto e punhos ... a água é fria, tanto quanto seus pés descalços.
Os olhos vermelhos, ardem ... seu corpo arde, sua alma arde ...
Vai para a varanda ... senta-se no banco rígido ... e olha o céu,negro, sem estrelas ...
O vento é cortante ... seu olhar alcança a estradazinha de terra ... vazia.
Sem notícias.
Sem ajustes de contas.
Nunca mais ele surgiria ali, naquele portão.
E suas lágrimas aquecem seu rosto ...
Corpo febril, alma febril.
Nem sequer questiona mais a vida.
Nem sequer sonha.
Nem sequer  ...
Pobre criatura!
Pobre alma-pobre!
A madrugada judia, o frio é absolutamente cortante.
Reencosta-se ... inclina sua cabeça para trás,como se nada mais quisesse olhar.
O vento forte carrega com as folhas secas, também sua alma.
O corpo, também transcedeu, enrijeceu.
Rosa Maria, um dia rosa-encantada, agora, foi.
Atravessou aquele portão, pegou a estreita estrada ... levada ao vento ... e, foi ... e, foi ... arrastada, tristemente, alma-penada.
Hoje em dia, ainda falam das sombras do vale. E que lá , o venta uiva ... e escuta-se o choro-lamento, sequencial ... e vê-se um vulto que vaga de cá e lá, na varanda da velha casa abandonada.
 Ahhh ... no jardim ...ainda brotam rosas ... lindas rosas, douradas.

Tata Junq
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